Quando estou à beira de mim mesma, gosto de não pensar nem mesmo em mim. As horas não contam, nem existe pessoa que conte, fico só eu e a minha compreensão. E compreendo tudo. apenas a compreender de que nada é tudo. Que coisa nenhuma me enche e de que nada tem tempo. Por isso penso em coisa nenhuma, pois como a isso não devo respeito, só penso o tempo que me apetecer.
Por vezes fico só eu e o fumo egoísta do cigarro, que dá voltas, enquanto dou também voltas em torno de mim; e bebo o garoto da desgraç, sem nada mais fazer, sabendo que o Mundo não fará nada por mim.
As crónicas do meu caderno, nem sei bem se são verdade, nem quanto a elas confies em mim, porque o fumo do cigarro, faz-me alucinar mentiras sem fim. Em nada confio, a nada tempo dou, e quem me dera ser como aquele charro que vi, que mal acendeu, ao fim chegou.
Não é morte psicológica, apresento-vos meus senhores o estado de bebedeira. Vivo e por isto abro, consumo e esqueço, as consequências da vida inteira.
Dizem que leva o seu tempo a passar, leitor, já eu própria não me passei? Não é nada o nosso fígado, quando não temos consideração por ninguém.
Por isso fico só à beira, à beira da minha loucura, e parto relógios com o pé e beijo a eternidade com ternura.
Que seja eterna a inconsciência, morte ao medo e ao crescer, pois com cada passo vi o Mundo, mais pessoas, medo, dispenso ver.
O cigarro é egoísta, será que não sou também? No entanto quanto menos vejo, em mais minutos me sinto bem.
Fico só eu à beira de mim, e não deixo que bebam do meu copo, às vezes a imposição da solidão, é como que um acto heróico.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Até me sentar aqui para escrever, pensei sobre mil hipóteses de coisas, que ao pensar sobre, me pudessem dar vontade de escrever, e se ainda o saberia fazer. Pois bem, escrever não é algo que eu saiba fazer. Com erros tanto gramaticais como estruturais, no entanto não mudaria nada daquilo que faço. Porque faço, fica como pensei em fazer e foi assim que senti, sem vírgulas ou acento, bem ou mal feito. E porque quando faço (e faço porque penso), aquilo em que penso (e que decido anotar), tem todas as características, menos ser linear e claro. Nada do que penso tem qualquer tipo de clareza, muito menos tu. E este blog, como já cheguei a dizer, é tudo menos meu.
É teu, e parabéns por isso.
Na verdade, conseguiste tê-lo, e quando é merecido, não há nada que possa apontar. Foste tu e os teus cabelos, a tua maneira de caminhar, cada ponta do teu sorriso, que fizeram com que tudo aquilo que escrevesse aqui, se dirigisse a ti. Por isto, vê cada linha como que se tratasse de um perfume, que não te canses de usar. E usa-o, para ti, porque gostas, porque é a tua cara, e porque o compraste. E não me questiones: quem o tirou da loja, foste tu.
É teu, e parabéns por isso.
Na verdade, conseguiste tê-lo, e quando é merecido, não há nada que possa apontar. Foste tu e os teus cabelos, a tua maneira de caminhar, cada ponta do teu sorriso, que fizeram com que tudo aquilo que escrevesse aqui, se dirigisse a ti. Por isto, vê cada linha como que se tratasse de um perfume, que não te canses de usar. E usa-o, para ti, porque gostas, porque é a tua cara, e porque o compraste. E não me questiones: quem o tirou da loja, foste tu.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Há sempre uma hora na vida em que deixamos tudo começar. Puxam-se cabelos e cravam-se unhas nos braços, se for esse o passo necessário para verificar que, inevitavelmente nos deixámos entrar num estado puro e completo de insanidade. E nessa hora verificamos também, que já nos andávamos a adiar há mais anos, que os dedos que temos em cada mão. Tudo o que fazemos com cabeça e sentido, deixa aos nossos olhos de o ter, e passamos nesses 60 minutos, a encontrar-nos rendidos perante todos os nossos erros. Mas é aí que deixamos tudo começar, e enquanto puxamos os cabelos e cravamos unhas nos braços, enquanto nos deixamos aos poucos desligar de tudo aquilo que construímos até hoje, aprendemos também, por outro lado, a valorizar cada pedra da calçada que temos a oportunidade de pisar, cada perfume que sentimos ao passar na rua por entre um aglomerado de gente e ainda mais, a oportunidade que nos foi oferecida, de por entre toda essa gente, nos transformarmos numa pessoa. É nessa hora, de morte, alternativa a, que descobrimos a nossa hipótese b, a de renascer, desta vez como um louco assumido. E olhar a vida com olhos de puta, porque ela gira de brilho ao fim de cada minuto, e em cada segundo das 24 horas de um dia, temos no canto de cada beco uma nova hipótese de nos redimirmos de cada asneira que fizemos possamos fazer, e de sermos felizes. Porque estamos aqui para ser felizes.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
O vento é assim. Sopra e pronto. E quando sopra voam as perucas do senhores que querem mostrar ter mais cabelo que o que têm, voam papéis que estavam desarrumados na secretária e que fingimos ver organizados, até abrirmos uma janela; voam os maços de tabaco recolhidos num canto de uma ruela, voam notas destinadas a ter uma determinada utilidade, e no meio de toda esta desarrumação, voas também tu. E logo tu, que dizias voar sozinho; mentiroso. Vi numa entrevista uma senhora que disse: 'Um dia o meu pai disse-me para escrever num papel 20 coisas que gostava de ter na pessoa com quem estou(...)'; e decidi fazer o mesmo. Mas quando alguém abriu mais uma porta na minha casa, o papel voou, e deve ter voado com todas as coisas que queria em ti, porque a última que sobrou, foi o adjectivo 'persistência', e esse não é teu, com certeza. O vento soprou-te e levou-te o cabelo. Soprou-te e pronto. Daqui a uns dias não serás mais que papéis desorganizados e espalhados no chão do meu quarto. Vais-te resumir aquilo a que sempre te resumiste. Numa escala de dez maços de tabaco por uma hora, ou menos, de discussão. E pela primeira vez na vida, vou-te saber comparar a dinheiro, e vou orgulhosamente conseguir dizer, que mesmo que te conseguisse comprar, nunca te compraria.
Subscrever:
Mensagens (Atom)