segunda-feira, 23 de maio de 2011

Bebedeira

Quando estou à beira de mim mesma, gosto de não pensar nem mesmo em mim. As horas não contam, nem existe pessoa que conte, fico só eu e a minha compreensão. E compreendo tudo. apenas a compreender de que nada é tudo. Que coisa nenhuma me enche e de que nada tem tempo. Por isso penso em coisa nenhuma, pois como a isso não devo respeito, só penso o tempo que me apetecer.
Por vezes fico só eu e o fumo egoísta do cigarro, que dá voltas, enquanto dou também voltas em torno de mim; e bebo o garoto da desgraç, sem nada mais fazer, sabendo que o Mundo não fará nada por mim.
As crónicas do meu caderno, nem sei bem se são verdade, nem quanto a elas confies em mim, porque o fumo do cigarro, faz-me alucinar mentiras sem fim. Em nada confio, a nada tempo dou, e quem me dera ser como aquele charro que vi, que mal acendeu, ao fim chegou.
Não é morte psicológica, apresento-vos meus senhores o estado de bebedeira. Vivo e por isto abro, consumo e esqueço, as consequências da vida inteira.
Dizem que leva o seu tempo a passar, leitor, já eu própria não me passei? Não é nada o nosso fígado, quando não temos consideração por ninguém.
Por isso fico só à beira, à beira da minha loucura, e parto relógios com o pé e beijo a eternidade com ternura.
Que seja eterna a inconsciência, morte ao medo e ao crescer, pois com cada passo vi o Mundo, mais pessoas, medo, dispenso ver.
O cigarro é egoísta, será que não sou também? No entanto quanto menos vejo, em mais minutos me sinto bem.
Fico só eu à beira de mim, e não deixo que bebam do meu copo, às vezes a imposição da solidão, é como que um acto heróico.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Até me sentar aqui para escrever, pensei sobre mil hipóteses de coisas, que ao pensar sobre, me pudessem dar vontade de escrever, e se ainda o saberia fazer. Pois bem, escrever não é algo que eu saiba fazer. Com erros tanto gramaticais como estruturais, no entanto não mudaria nada daquilo que faço. Porque faço, fica como pensei em fazer e foi assim que senti, sem vírgulas ou acento, bem ou mal feito. E porque quando faço (e faço porque penso), aquilo em que penso (e que decido anotar), tem todas as características, menos ser linear e claro. Nada do que penso tem qualquer tipo de clareza, muito menos tu. E este blog, como já cheguei a dizer, é tudo menos meu.
É teu, e parabéns por isso.

Na verdade, conseguiste tê-lo, e quando é merecido, não há nada que possa apontar. Foste tu e os teus cabelos, a tua maneira de caminhar, cada ponta do teu sorriso, que fizeram com que tudo aquilo que escrevesse aqui, se dirigisse a ti. Por isto, vê cada linha como que se tratasse de um perfume, que não te canses de usar. E usa-o, para ti, porque gostas, porque é a tua cara, e porque o compraste. E não me questiones: quem o tirou da loja, foste tu.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Há sempre uma hora na vida em que deixamos tudo começar. Puxam-se cabelos e cravam-se unhas nos braços, se for esse o passo necessário para verificar que, inevitavelmente nos deixámos entrar num estado puro e completo de insanidade. E nessa hora verificamos também, que já nos andávamos a adiar há mais anos, que os dedos que temos em cada mão. Tudo o que fazemos com cabeça e sentido, deixa aos nossos olhos de o ter, e passamos nesses 60 minutos, a encontrar-nos rendidos perante todos os nossos erros. Mas é aí que deixamos tudo começar, e enquanto puxamos os cabelos e cravamos unhas nos braços, enquanto nos deixamos aos poucos desligar de tudo aquilo que construímos até hoje, aprendemos também, por outro lado, a valorizar cada pedra da calçada que temos a oportunidade de pisar, cada perfume que sentimos ao passar na rua por entre um aglomerado de gente e ainda mais, a oportunidade que nos foi oferecida, de por entre toda essa gente, nos transformarmos numa pessoa. É nessa hora, de morte, alternativa a, que descobrimos a nossa hipótese b, a de renascer, desta vez como um louco assumido. E olhar a vida com olhos de puta, porque ela gira de brilho ao fim de cada minuto, e em cada segundo das 24 horas de um dia, temos no canto de cada beco uma nova hipótese de nos redimirmos de cada asneira que fizemos possamos fazer, e de sermos felizes. Porque estamos aqui para ser felizes.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Resumimo-nos a resumos. E assim é cómodo e fácil, só nunca chegaremos à proeza de ter histórias bonitas o suficiente para escrever um livro.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dei três cambalhotas e fiz um pino, e quando finalmente voltei aqui e me sentei, reparo outra vez que este blog é cada vez mais teu do que meu
O vento é assim. Sopra e pronto. E quando sopra voam as perucas do senhores que querem mostrar ter mais cabelo que o que têm, voam papéis que estavam desarrumados na secretária e que fingimos ver organizados, até abrirmos uma janela; voam os maços de tabaco recolhidos num canto de uma ruela, voam notas destinadas a ter uma determinada utilidade, e no meio de toda esta desarrumação, voas também tu. E logo tu, que dizias voar sozinho; mentiroso. Vi numa entrevista uma senhora que disse: 'Um dia o meu pai disse-me para escrever num papel 20 coisas que gostava de ter na pessoa com quem estou(...)'; e decidi fazer o mesmo. Mas quando alguém abriu mais uma porta na minha casa, o papel voou, e deve ter voado com todas as coisas que queria em ti, porque a última que sobrou, foi o adjectivo 'persistência', e esse não é teu, com certeza. O vento soprou-te e levou-te o cabelo. Soprou-te e pronto. Daqui a uns dias não serás mais que papéis desorganizados e espalhados no chão do meu quarto. Vais-te resumir aquilo a que sempre te resumiste. Numa escala de dez maços de tabaco por uma hora, ou menos, de discussão. E pela primeira vez na vida, vou-te saber comparar a dinheiro, e vou orgulhosamente conseguir dizer, que mesmo que te conseguisse comprar, nunca te compraria.

domingo, 27 de dezembro de 2009

"Toda manhã, na África, um Leão acorda. Ele sabe que deverá correr mais rápido do que a Gazela ou morrerá de fome. Quando o sol surge no horizonte, não importa se você é Leão ou Gazela, é melhor começar a correr."