Quando estou à beira de mim mesma, gosto de não pensar nem mesmo em mim. As horas não contam, nem existe pessoa que conte, fico só eu e a minha compreensão. E compreendo tudo. apenas a compreender de que nada é tudo. Que coisa nenhuma me enche e de que nada tem tempo. Por isso penso em coisa nenhuma, pois como a isso não devo respeito, só penso o tempo que me apetecer.
Por vezes fico só eu e o fumo egoísta do cigarro, que dá voltas, enquanto dou também voltas em torno de mim; e bebo o garoto da desgraç, sem nada mais fazer, sabendo que o Mundo não fará nada por mim.
As crónicas do meu caderno, nem sei bem se são verdade, nem quanto a elas confies em mim, porque o fumo do cigarro, faz-me alucinar mentiras sem fim. Em nada confio, a nada tempo dou, e quem me dera ser como aquele charro que vi, que mal acendeu, ao fim chegou.
Não é morte psicológica, apresento-vos meus senhores o estado de bebedeira. Vivo e por isto abro, consumo e esqueço, as consequências da vida inteira.
Dizem que leva o seu tempo a passar, leitor, já eu própria não me passei? Não é nada o nosso fígado, quando não temos consideração por ninguém.
Por isso fico só à beira, à beira da minha loucura, e parto relógios com o pé e beijo a eternidade com ternura.
Que seja eterna a inconsciência, morte ao medo e ao crescer, pois com cada passo vi o Mundo, mais pessoas, medo, dispenso ver.
O cigarro é egoísta, será que não sou também? No entanto quanto menos vejo, em mais minutos me sinto bem.
Fico só eu à beira de mim, e não deixo que bebam do meu copo, às vezes a imposição da solidão, é como que um acto heróico.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
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