quinta-feira, 22 de julho de 2010
Há sempre uma hora na vida em que deixamos tudo começar. Puxam-se cabelos e cravam-se unhas nos braços, se for esse o passo necessário para verificar que, inevitavelmente nos deixámos entrar num estado puro e completo de insanidade. E nessa hora verificamos também, que já nos andávamos a adiar há mais anos, que os dedos que temos em cada mão. Tudo o que fazemos com cabeça e sentido, deixa aos nossos olhos de o ter, e passamos nesses 60 minutos, a encontrar-nos rendidos perante todos os nossos erros. Mas é aí que deixamos tudo começar, e enquanto puxamos os cabelos e cravamos unhas nos braços, enquanto nos deixamos aos poucos desligar de tudo aquilo que construímos até hoje, aprendemos também, por outro lado, a valorizar cada pedra da calçada que temos a oportunidade de pisar, cada perfume que sentimos ao passar na rua por entre um aglomerado de gente e ainda mais, a oportunidade que nos foi oferecida, de por entre toda essa gente, nos transformarmos numa pessoa. É nessa hora, de morte, alternativa a, que descobrimos a nossa hipótese b, a de renascer, desta vez como um louco assumido. E olhar a vida com olhos de puta, porque ela gira de brilho ao fim de cada minuto, e em cada segundo das 24 horas de um dia, temos no canto de cada beco uma nova hipótese de nos redimirmos de cada asneira que fizemos possamos fazer, e de sermos felizes. Porque estamos aqui para ser felizes.
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